Quem nunca passou pelo sufoco de ter de abrir um arquivo e descobrir que ele era incompatível com o aplicativo ou a versão em uso no computador? Com a concorrência e o ritmo acelerado com que os aplicativos de escritório recebem atualizações, o que era para ser um ganho tecnológico, muitas vezes se torna motivo para dor de cabeça.
Se o problema já causa desconforto na esfera doméstica, dá para se imaginar o risco que esse aparente detalhe pode oferecer a documentos oficiais de órgãos públicos, que cada vez mais aderem à tendência de digitalização de documentos.
É com o propósito de garantir uma linguagem universal e a interoperabilidade desses registros de forma atemporal que foi criada, em março de 2006 nos Estados Unidos, a Open Document Format Alliance (ODF), órgão que apregoa a adoção de formatos de documentos baseados em padrões abertos, que permitam aos usuários abrir quaisquer documentos sem mais ficarem reféns da adequação a formatos impostas pelos softwares próprietários.
"Em torno de 10% de todo o conhecimento da humanidade já está digitalizado e disponível na internet e a tendência é de crescimento exponencial. A questão é em que formato eles estão armazenados? Será que será acessíveis nos próximos anos?", aponta Jomar Silva, diretor geral da recém formada ODF Alliance Brasil.
O Brasil foi o primeiro país da América do Sul a recomendar o padrão ODF e agora passa a ser também o pioneiro na América Latina a criar uma versão local da entidade, com o objetivo de facilitar o acesso dos cidadãos principalmente no que diz respeito à documentação pública com definição do e-PING - padrões de interoperabilidade do governo eletrônico, em novembro do ano passado.
A entidade nasce no Brasil com o apoio das empresas Sun Microsystems, Red Hat e IBM e já conta com o Instituto Nacional de Tecnologia e Informática, o Ministério da Defesa e o Governo do Estado do Paraná como membros da aliança.
O padrão
O Open Document Format é um padrão aberto de arquivo, baseado em XML e independente de aplicações, que permite o armazenamento e troca de documentos de escritório editáveis, tais como arquivos de texto, planilhas eletrônicas, gráfico e aprrsentações.
Em todo o mundo, a promoção do padrão ODF recebeu a recomendação dos governos da Bélgica, Brasil, Croácia, Dinamarca, França, Alemanha e Noruega, e está sendo utilizado por mais de 50 órgãos governamentais. No Brasil, a entidade tem discutido com a Associação Brasileira de Normas e Técnicas (ABNT), que deve adotar o padrão ODF.
Segundo Jomar Silva, a mudança para padrões abertos é importante especialmente para as empresas brasileiras de software que pretendem exportar para a União Européia, já que por lá essa condição já passa a ser pré-requisito para entrada nos países do bloco.