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Até os responsáveis pelos alicerces mais sólidos da vida real parecem sucumbir à sensação do Second Life. De repente, há pouco mais de uma semana, não uma nem duas, mas três construtoras – Tecnisa, Cyrela e Rossi - anunciaram a entrada para o mundo virtual, delimitando seus espaços pelos terrenos de lá.
Pioneirismos à parte, a dúvida que paira é: Seria a novidade uma febre ou uma grande oportunidade para a qual, coincidentemente, o setor teria despertado? O potencial do canal é sem dúvida promissor, contabilizando cerca de 300 mil brasileiros cadastrados, que constituem uma maioria adulta na faixa dos 35 anos, das classes A e B.
Além disso, a realidade virtual proposta permite inúmeras formas de experimentação e interação com os usuários, derrubando, inclusive, as barreiras nacionais, o que abre portas para a prospecção de clientes também no exterior.
Embora a entrada das empresas tenha acontecido num mesmo período, as coincidências param por aí. As estratégias adotadas para chamar a atenção dos avatares tupiniquins são até bem diferentes, enriquecendo a diversidade empírica, tanto para quem aposta no Second Life como nova mídia, como para os usuários.
Com o objetivo de gerar fluxo para o site de vendas, a Tecnisa ingressa no Second Life sem a intenção de criar imóveis ou vender diretamente pelo canal. Tal qual um showroom tradicional, a princípio, a atuação da construtora será a de manter um corretor virtual no atendimento dos usuários e direcionando os interessados para dar continuidade à negociação no site da empresa, canal que já representa 33% do faturamento total da empresa, somente no último quarter.
“Não tem certo ou errado, são estratégias. Essa é a atual internet de 94. Ninguém sabe se é febre ou se é fato, mas sabemos que é o começo de algo muito importante. Hoje temos o problema das máquinas no Brasil, pois o Second Life é muito pesado e a navegação ainda não é amigável. Estamos experimentando e aprendendo com isso”, argumenta Romeo Busarello, diretor de marketing da Tecnisa.
A empresa desembolsou 15 mil reais entre terreno, programação e suporte de um ano para a construção do endereço no Second Life. “Já tivemos mais de 158 atendimentos no Second Life. 90% é de curiosos, mas duas dessas visitas já foram encaminhadas para a negociação no site. Acho que podemos dizer que já tivemos algum retorno”, diz Busarello.
Levar o real para o virtual. Essa foi a estratégia da Rossi, que levou para o Second Life o Brookin to Live, um dos lançamentos de alto padrão da incorporadora. A empresa investiu 80 mil reais para que os interessados no empreendimento possam explorar as áreas comuns, conhecer os apartamentos, negociar, tirar dúvidas e inclusive, em parceria com a Etna, decorar o novo imóvel no seu correspondente virtual, que será presenteado aos usuários que adquirirem o bem físico.
“Nosso objetivo e vender e prestar um melhor serviço. Vimos que por meio do Second Life era possível dar mais a nossos clientes de uma forma que a realidade não permite, como poder testar se um sofá fica bem na sua sala antes de comprá-lo, por exemplo, e explorar o próprio imóvel enquanto aguarda o momento até receber as chaves”, explica Rafael Rossi, gerente de marketing institucional da Rossi.
Com o terreno demarcado com tapumes, a Cyrela decidiu usar o espaço como especie de teaser virtual para o lançamento do Clube Cyrela, previsto para 1º de junho. Ao contrário da proposta da Rossi, a incorporadora optou por não levar nada do mundo de fora para dentro do Second Life, apostando no clube para promover a marca e oferecer um espaço de relacionamento e diversão para os usuários.
Segundo Beto Ribeiro, gerente de marketing on-line da Cyrela, a empresa pretende apresentar a idéia do clube e, a partir desse ponto, promover a interação, acolhendo sugestões de usuários para torná-lo mais agradável. “Não existe uma iniciativa parecida nas ilhas brasileiras. Um clube em si é uma área de sociabilidade e é justo isso o que as pessoas mais fazem no Second Life”, diz Ribeiro.
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