Vida e morte de uma startup

B2B Magazine

Switch to desktop Register Login

Vida e morte de uma startup

Vida e morte de uma startup Reprodução

No período chamado de “bolha da internet”, vivo entre o final da década de 90 e o início dos anos 2000, uma nova concepção de empresas nasceu: as startups. Entre muitas definições, a principal aponta companhias novas ligadas a ideias inovadoras, que geralmente trabalham em condições de incerteza. Basicamente, a tentativa de monetização de bons insights.

 

Bastante em foco atualmente, o conceito tem força graças a casos bem sucedidos como Google, Yahoo, Easy Taxi e outros. Um estudo da escola de negócios Fundação Dom Cabral, no entanto, apontou que 25% das startups brasileiras morrem em menos de um ano, 50% em menos de quatro anos. Por que isso ocorre?        

 

Segundo a pesquisa “Causas da Mortalidade de Startups Brasileiras”, três fatores causam a descontinuidade dessas companhias: o número de sócios, o volume de capital investido e o local de instalação. Foram consultados fundadores de 221 startups - 130 em operação e 91 já descontinuadas.

 

Primeiramente, sobre o pessoal: a cada sócio a mais que trabalha em tempo integral, a chance de declínio aumenta 1,24 vez. "Muitas vezes, os interesses pessoais e profissionais dos sócios não convergem, resultando em problemas de relacionamento, além da incapacidade de adaptação de muitos deles às necessidades e mudanças do mercado", explica o coordenador do Núcleo de Inovação da FDC, Carlos Arruda, responsável pela pesquisa.

 

E como uma equipe nova pode lidar com isso? Para Breno Barreto Frias, head estratégia branding e fundador da Set You Up, uma sociedade é como um casamento. “É preciso pensar que você está casando com várias pessoas e ter certeza que é com quem você vai ficar o resto da vida. Na montagem, os ânimos estão à flor da pele e as chances de brigar são muito altas”, explica.

 

Fora bons critérios de escolha, de preferência montando grupos com ideias complementares, é preciso ter uma boa definição desde o início. “Qual a função de cada um, qual a participação societária, tudo deve estar claro para não trazer problemas futuros”, completa.

 

Planejamento financeiro
O volume de capital investido antes do início das vendas foi analisado pelo FDC em três situações: empresas que, antes de faturar, dispunham de capital suficiente para manter seus custos operacionais por um mês; pelo período de dois meses a um ano ou por mais de um ano.

 

Surpreendentemente, a segunda situação teve o pior desempenho na análise. As startups cujo capital investido cobre os custos básicos de dois a doze meses são 3,2 vezes mais probabilidades de desaparecer do que as companhias com capital suficiente para cobrir os custos por um mês e 2,5 vezes mais suscetíveis do que as com capital para cobrir os custos por mais de um ano de operação. "Investir uma grande quantidade de recursos antes de começar a faturar aumenta as chances de insucesso e indica que, para essas empresas, o melhor é ter foco na realidade do mercado. Quando o produto ou serviço atende às demandas reais, o caminho para a venda é mais curto e o negócio pode ser viabilizado com o capital dos próprios clientes", destaca Arruda.

 

Frias recorda que essas empresas com um pouco mais de recursos tendem a concentrar esforços em itens que não são centrais. Aquelas com apenas um mês para colocar o projeto em prática serão mais centradas enquanto aquelas com um ano, provavelmente, terão um maior planejamento. Assim, enfatiza: “Numa startup, você está pisando em ovos. Não sabe o que o consumidor quer nem se o produto vai ser vendável. O gasto no processo inicial deve ser o mínimo possível”. Depois, vêm as lapidações – conforme o retorno do mercado. 

 

Espaço e custo
O local de instalação também pode ser vilão. Conforme aponta o estudo, quando a empresa está em uma aceleradora, incubadora ou parque, a chance de descontinuidade da empresa é 3,45 vezes menor em relação às startups instaladas em escritórios próprios ou em locais alugados.

 

A decisão entre alugar um espaço e utilizar um disponível varia de acordo com o perfil da startup, conforme explica o consultor Frias. Mas relembra: “Quanto menos gastos fixos você tiver, melhor”.

 

Hoje, é plenamente possível iniciar um negócio utilizar o home office. Existem ferramentas de comunicação, formas de compartilhar documentos. Planejando todos os aspectos, talvez seja possível investir num espaço físico. No entanto, estar com o pensamento – e o capital – centrado no que realmente importa para emplacar o negócio ainda é a melhor opção.  

 

Leia mais:
Startups: apoio para começar
Como preparar sua startup?
A falha da sua startup pode ser você

 

Compartilhe:

Submit to FacebookSubmit to TwitterSubmit to LinkedIn
" num_posts="7" width="600">

B2B Magazine 2013 - Todos os direitos reservados.

Top Desktop version